Como eu imagino você - Pedro Guerra | Resenha


"Não consigo definir o formato do seu rosto, muito menos se aquele borrão embaixo é uma barba rala ou não. Percebo que o cabelo é volumoso e tento desenhar na minha mente as ondas que aqueles fios formam." 

Uma doença rara diagnosticada na infância nunca impediu Helena de enxergar o mundo, e mesmo com todos os obstáculos, ela é uma jovem alegre, independente e muito sensível. Mas é à noite que Lena sente seu coração se encher de dúvidas e agitação ao se “encontrar” com um misterioso rapaz que surge constantemente em seus sonhos. E, apesar de não enxergá-lo com nitidez, ela sabe exatamente como ele é. 

Um dia, seus pais precisam fazer uma viagem e a jovem é obrigada a ficar sozinha em casa. Quer dizer... não totalmente sozinha. Sua mãe havia contratado um rapaz para cuidar do jardim. E aquilo que parecia ser uma visita indesejada pode trazer uma enorme mudança em sua vida. Para sempre... 

“Posso vê-lo mais do que a minha capacidade de enxergar permite. Consigo ver que ele é diferente."

Editora Gutenberg | 190 páginas | Skoob




O livro conta a história de Helena, uma garota de 18 anos que foi diagnosticada com uma doença muito rara, que a fez perder, até então, 80% de sua visão frontal, tendo apenas sua visão periférica em perfeito estado. Apesar de todas as dificuldades que ela enfrenta, Lena busca ser sempre positiva.

Porém, tudo muda quando seus pais precisam deixá-la em casa sozinha. Quer dizer, quase sozinha. Um jardineiro contratado pela mãe acaba surpreendendo Lena quando ela descobre que ele se trata do garoto dos seus sonhos, literalmente.

Ao mesmo tempo que começa a se envolver com Alex, o tal jardineiro, Lena vai em busca de respostas sobre esse mistério com a ajuda de Lucas, seu melhor amigo, e Madame Shiva.


Bom, meus fiotes, Como eu imagino você foi o livro escolhido para o mês de Janeiro do projeto Buddy Read, realizado em parceria com o Escrevendo e Rabiscando e com o Suddenly Things, e cumpre o desafio de ter sido lançado nos últimos 4 meses. Eu posso dizer que fiquei bem surpresa com o rumo que a história tomou a partir de determinado ponto, mas posso dizer também que o final foi um pouco previsível.

A história de Helena Curval, mais conhecida como Lena, me chamou bastante atenção por ser uma personagem bem diferente do que estou acostumada. Arrisco dizer que o principal motivo para eu ter quisto ler esse livro foi a deficiência visual da personagem. Apesar de ela ter uma história de vida um pouco fora do comum, esta não foi aprofundada e o romance entre ela e Alex também foi bem clichê e previsível. Foram poucos os momentos em que imaginei um outro final para a história, como um triângulo amoroso entre ela, Alex e Lucas, ou então o par romântico dela passar a ser Lucas (na verdade, eu estava meio que torcendo por isso).



Eu não posso dizer que me apaixonei por algum dos personagens e o mais próximo de me identificar com alguém na história foi que vi um pouco de uma amizade minha espelhada em Lena e Lucas. Acho que isso aconteceu pelo motivo principal de eu não ter dado 5 estrelas para o livro: a superficialidade. Acho que faltou aprofundar muita coisa na história, como a doença de Helena, os sonhos que ela tinha, seu relacionamento com Alex; também senti falta de um pouco mais de atenção para os personagens coadjuvantes, visto que gostei mais do Lucas, o melhor amigo, do que do Alex, o par romântico.

O fato do Pedro ter deixado o final em aberto me incomodou, pois eu não entendi muito bem a história da clarividência e das premonições da Lena. Acho que ele acabou focando demais no romance e se esqueceu dos demais pontos da história.


Admito que, apesar de não ser muito fã do Alex e achar que a história de amor aconteceu muito rápido, as cenas românticas me faziam suspirar. Era bonitinho quando ele estava com Helena, mas acho que teríamos visto uma coisa mais intensa caso houvesse um envolvimento entre Lena e Lucas (inclusive, durante o livro, recebemos muitas pistas e indiretas de que talvez isso possa vir a acontecer).


Eu achei muito curioso que, enquanto eu lia e imaginava a história na minha cabeça, eu "via" as coisas com os olhos de Lena, por isso, quando tentava imaginar os personagens, eu tinha um tipo de bloqueio (apesar de saber que as poucas descrições contidas no livro não batiam com as minhas). Fora isso, eu não conseguia sentir o que a personagem sentia, pois não estava conectada com ela, mas eu me emocionava com o que ela sentia, como uma personagem coadjuvante, que apenas observava a trajetória da personagem principal.


Faltando pouquíssimo para o fim do livro, o Pedro Guerra simplesmente jogou uma bomba no livro que me deixou em estado de choque. Porém, além de não ter tido explicação nenhuma, ele meio que "voltou atrás na decisão", o que me decepcionou um pouco. Por mais que aquele acontecimento não tivesse explicação (coisa que ele poderia ter feito), acho que deixaria a história bem mais emocionante, mas fazer o que, né?!

Também não é como se eu tivesse odiado o livro. Admiro a Helena pela força que ela teve para suportar toda a sua situação, tenho um certo apreço pelo Lucas e acho a amizade deles muito fofa, gostava bastante das cenas românticas, apesar de ter tido uma aparição mínima, eu gostei da Kayla. Mas acho que uma das coisas que mais gostei foram as menções e referências a séries, livros e autores, sobretudo Charles Dickens.

Para quem está procurando um romance rápido de ler com uma pitadinha de mistério, eu indico esse livro. Mas todos sintam-se à vontade para lê-lo e tirar suas próprias conclusões. Foi isso, meus fiotes, espero que tenham gostado! Sei que não sou a mestre das resenhas e que não faço as melhores do mundo, mas estou me esforçando e, com o tempo, tenho certeza de que vou melhorar!





Um beijo,
Aninha


4 comentários:

  1. Oi Aninha, agora estou ansiosa para começar o livro, espero me identificar com algum personagem do livro, beijos!

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  2. Oi, Aninha. Você foi bem mais generosa que eu. Não gostei do Alex e ponto, e todas as vezes que ele aparecia, queria vomitar porque tudo era previsível demais. Eu curti o final, foi realmente uma das únicas partes da história que me agradou realmente.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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    1. Eu não odiei o Alex, mas COM CERTEZA shippava ela com o Lucas. Eu não gostei do final aberto, acho que merecíamos uma explicação.

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